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Farmacêutico já pode prescrever. Sua marca nem percebeu…

Enquanto a indústria farmacêutica ainda direciona quase todo investimento de comunicação para o médico, o farmacêutico ganhou, por resolução do próprio conselho da categoria, respaldo legal para prescrever. E a maioria das campanhas farma segue como se isso não existisse.

Resposta direta: desde 2025, o farmacêutico prescritor com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Farmácia Clínica pode prescrever medicamentos, incluindo os de venda sob prescrição, conforme a Resolução CFF nº 5/2025. A medida ainda enfrenta contestação do Conselho Federal de Medicina, mas está em vigor e já muda quem decide no ponto de venda.

O que mudou na prescrição farmacêutica

Em fevereiro de 2025, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou a Resolução nº 5/2025, que regulamenta o ato de estabelecer o perfil farmacoterapêutico do paciente. Segundo a norma, o farmacêutico com RQE em Farmácia Clínica passa a poder prescrever medicamentos, incluindo os categorizados sob prescrição, dentro de protocolos e diretrizes definidos pelo próprio CFF.

Essa autorização não é genérica. Ela depende do Registro de Qualificação de Especialista, criado pela Resolução CFF nº 4/2025, que exige comprovação formal de especialização. Além disso, farmacêuticos com RQE em Farmácia Estética ou Tricologia só podem prescrever dentro da própria área de atuação, e a exigência de RQE cai apenas em situações específicas, como atendimento a paciente sob risco de morte iminente ou programas do SUS.

Ou seja, não é qualquer farmacêutico, em qualquer balcão, prescrevendo qualquer medicamento. É uma nova camada de decisão clínica, formal e regulamentada, dentro da cadeia de saúde.

A disputa que ainda não terminou

Antes de qualquer campanha tratar isso como fato consolidado, vale um alerta importante. O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou a prescrição farmacêutica como ilegal, argumentando que a prescrição seria atividade exclusiva do médico. O CFF, por sua vez, sustenta que a prescrição terapêutica não é atividade privativa de nenhuma categoria, e reforçou essa posição em parecer publicado em agosto de 2026, quando reafirmou também que a dispensação de medicamentos é atribuição privativa do farmacêutico.

Portanto, a Resolução CFF nº 5/2025 está em vigor e sendo aplicada, mas o conflito entre os dois conselhos segue sem desfecho definitivo até o momento. Isso não torna a mudança menos real, torna a comunicação sobre o tema mais delicada. Uma campanha pode e deve reconhecer o farmacêutico como novo agente de decisão, mas não deve tratar a prescrição farmacêutica como um consenso pacífico entre médicos e farmacêuticos.

O que mudou, na prática:

SituaçãoAntes da Resolução 5/2025Depois da Resolução 5/2025
Medicamento isento de prescriçãoFarmacêutico já podia orientar e recomendarContinua podendo, sem mudança
Medicamento sob prescriçãoFarmacêutico não podia prescreverPode prescrever, com RQE em Farmácia Clínica e dentro de protocolo
Renovação de receitaDependia de nova consulta médicaFarmacêutico com RQE pode renovar, conforme protocolo
Situação de risco iminenteFarmacêutico agia com limitaçãoPode prescrever e administrar sem exigência de RQE

A indústria farmacêutica pode continuar comunicando como se o balcão fosse só o fim da cadeia. Só que, para uma parcela crescente de farmacêuticos, o balcão virou também o início de uma prescrição.

Por que sua campanha farma ainda ignora esse público

A maioria das estratégias de marketing farmacêutico ainda trata o farmacêutico como recomendador de ponto de venda, não como agente com respaldo legal de prescrição. Já mostramos, em Healthcare: a mesma marca do propagandista ao balcão, como o desalinhamento entre médico e farmacêutico já custava venda mesmo antes dessa mudança regulatória. Agora, esse desalinhamento fica mais caro, porque o farmacêutico deixou de ser só influenciador de decisão e passou a ser, também, tomador de decisão formal.

Isso pede ajuste real na estratégia:

1. Criar material técnico específico para o farmacêutico com RQE, e não apenas adaptar o material do propagandista.

2. Diferenciar comunicação de recomendação, dirigida a qualquer farmacêutico, de comunicação de prescrição, dirigida a quem tem RQE em Farmácia Clínica.

3. Investir em relacionamento com farmácias que já têm farmacêuticos especializados, já que esse perfil tende a crescer.

4. Nunca tratar a prescrição farmacêutica como consenso de mercado nas peças de comunicação, dado o conflito ainda ativo com o CFM.

5. Monitorar a evolução regulatória, porque o desfecho da disputa entre CFF e CFM pode redesenhar o alcance da norma.

Esse novo cenário também conversa com o que já mostramos em Médicos e IA: 78% usam, a propaganda ainda não…: tanto o médico quanto o farmacêutico estão exigindo mais evidência e menos discurso genérico antes de qualquer decisão clínica, seja ela de prescrição ou de recomendação.

Perguntas frequentes

A prescrição farmacêutica já é uma lei nacional definitiva?

Não exatamente. É uma resolução do Conselho Federal de Farmácia, em vigor desde 2025, fundamentada em lei federal anterior. Porém, o Conselho Federal de Medicina contesta a validade da medida, e a disputa entre os dois conselhos segue sem desfecho definitivo.

Qualquer farmacêutico pode prescrever qualquer medicamento agora?

Não. Só o farmacêutico com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Farmácia Clínica pode prescrever medicamentos sob prescrição, e ainda assim dentro de protocolos e listas definidos pelo CFF.

Isso substitui a necessidade de consulta médica?

Não. A resolução regulamenta uma competência específica do farmacêutico dentro do acompanhamento farmacoterapêutico, não substitui a atuação médica nem a prescrição médica original.

Minha marca farma precisa mudar a comunicação agora mesmo?

Vale começar a ajustar. Mesmo com a disputa regulatória em aberto, o número de farmacêuticos com RQE tende a crescer, e chegar atrasado nesse público custa participação de mercado, não só reputação.

Onde posso confirmar se um farmacêutico tem RQE?

O paciente e a indústria podem consultar a habilitação diretamente no site do Conselho Federal de Farmácia, que mantém o registro de qualificação de cada profissional habilitado.

O que fazer a partir de agora

O farmacêutico deixou de ser só o último elo antes da venda. Para uma parcela da categoria, ele também é, agora, quem decide o tratamento. Ignorar essa mudança na comunicação não é neutro, é desperdiçar alcance num público que já tem peso de decisão formal.

A Narro estrutura comunicação healthcare que acompanha cada elo da cadeia de decisão, incluindo as mudanças mais recentes de regulamentação.

Fausto Barbieri

Escrito porFausto BarbieriDiretor de Atendimento da Narro

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