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GLP-1: a demanda que a indústria não criou, mas também não freia

7 minutos

Dois terços dos lançamentos farmacêuticos não atingem a meta de vendas pré-lançamento, segundo levantamento da McKinsey ainda citado como referência pelo setor mais de uma década depois. Portanto, o problema raramente é o produto. Na prática, o lançamento de medicamento tarjado falha porque o processo por trás do briefing foi encurtado.

O lançamento de medicamento tarjado segue três fases interligadas: pré-marketing, que decide painel médico, TPP (perfil de produto) e validação com líderes de opinião; lançamento, que ativa material de campo e força de vendas; e pós-lançamento, que ajusta a mensagem a cada ciclo trimestral. O briefing só funciona quando reúne o que essas três fases já validaram, nunca quando tenta substituí-las.

As três fases que decidem um lançamento farmacêutico

Assim, todo lançamento farmacêutico sério trabalha em três fases interligadas: pré-lançamento, lançamento e pós-lançamento. Cada fase exige que a área médica e a área comercial avancem juntas, porque decisão isolada de um lado costuma quebrar a outra.

Além disso, é justamente essa falta de alinhamento entre o time médico-científico e o time comercial que mais aparece como causa de lançamento fraco, segundo levantamento com executivos de biofarmacêuticas sobre os principais gargalos do processo. Quando o time clínico entrega o produto e some, e o time comercial recebe sem contexto, a mensagem chega ao médico incompleta.

Vale uma ressalva antes de seguir: esse desenho de três fases é o modelo mais citado pela literatura do setor, mas não é uma regra única. Multinacionais com departamento médico robusto tendem a formalizar cada etapa, com advisory board, TPP documentado e tracking pós-lançamento estruturado. Laboratórios nacionais, ou linhas de genéricos e similares, costumam comprimir fases ou pular a validação formal com KOLs, sem que isso signifique um lançamento malfeito. O que vem a seguir descreve a estrutura mais completa, não a única possível.

Portanto, o primeiro ponto de um lançamento bem feito não é criativo. É estrutural: garantir que quem construiu a evidência científica e quem vai comunicá-la estejam na mesma sala desde o início, no formato que o porte do laboratório permitir.

Pré-marketing: onde o laboratório decide quem vale a visita

Antes de qualquer peça, o pré-marketing farmacêutico define a segmentação do painel médico. Isso significa dividir os médicos não só por especialidade, mas por potencial real de prescrição: quem já trata o perfil de paciente daquele medicamento, quem tende a adotar novidades primeiro e quem só prescreve depois de ver o produto consolidado.

Sem essa segmentação, a visitação médica trata perfis diferentes com a mesma abordagem. Consequentemente, a operação perde relevância exatamente com o médico que mais importava converter em prescrição recorrente primeiro.

Além da segmentação, o pré-marketing dimensiona a força de vendas: quantos representantes o painel exige, como os territórios se dividem e qual cobertura e frequência de visita cada território comporta. Isto é, antes de escrever qualquer mensagem, o laboratório já sabe quem vai ouvi-la, quantas vezes e por meio de quem.

TPP e posicionamento: o que sustenta a mensagem antes de qualquer peça

Em seguida, entra o TPP, o perfil de produto que documenta os diferenciais clínicos comprováveis e a proposta de valor para cada público (médico, farmacêutico, paciente). Esse documento nasce do dossiê científico montado pelo departamento médico a partir de estudos do princípio ativo.

Contudo, o TPP não fica só na teoria, nos laboratórios que formalizam essa etapa. Boa parte das empresas testa o posicionamento antes do lançamento, com advisory boards e pesquisa direta com médicos formadores de opinião, os KOLs. Assim, o laboratório descobre se a mensagem realmente convence antes de investir em produção de material.

Já o engajamento com KOLs, quando existe, não pode começar no lançamento. Ele precisa vir desde o desenvolvimento clínico, porque um formador de opinião que só conhece o produto na hora do lançamento não tem tempo de virar defensor dele.

Quem constrói o material que vai a campo

Depois que o posicionamento está validado, o gerente de produto e o departamento médico desenvolvem juntos as monografias e a campanha que os representantes e gerentes de contas vão levar ao médico e à farmácia. Ou seja, o material de campo nunca nasce só do lado criativo.

Nesse momento, o kit de lançamento normalmente inclui:

1. Dossiê científico, para embasar o discurso do representante com estudos do princípio ativo.

2. Visual aid, o material visual usado durante a visita médica.

3. Peças de PDV e farmácia, alinhadas à promessa do produto ao consumidor final.

4. Conteúdo digital para médico e farmacêutico, como e-mails e portais técnicos.

5. Ação de endomarketing, para apresentar o lançamento à própria força de vendas antes do mercado.

Aliás, esse último ponto costuma ser subestimado. Antes de convencer o médico, o laboratório precisa convencer o próprio time. Um representante que não domina o diferencial do produto não sustenta a conversa com o KOL nem com o clínico geral.

Pós-lançamento: o ciclo trimestral que decide se o produto sobrevive

O ciclo comercial farmacêutico roda, em geral, em blocos de três meses, período em que cada representante revisita a mesma grade de médicos e pontos de venda. Assim, essa cadência abre uma decisão estratégica real: evoluir o conceito a cada trimestre ou manter uma única campanha o ano inteiro.

Nenhuma das duas opções é certa por padrão. Isso porque tudo depende da fase do produto no ciclo de vida e da pressão competitiva na categoria terapêutica.

ModeloQuando funciona melhorRisco principal
Evolução trimestralCategorias competitivas, com lançamento concorrente no mesmo semestrePerder consistência de marca se cada trimestre parecer uma campanha nova
Campanha fixa anualProduto com diferencial clínico único e mensagem forteCansar o médico se a peça não trouxer dado novo com o tempo

Além disso, laboratórios com processo mais maduro não esperam o ano fechar para saber se o lançamento funcionou. Eles acompanham indicadores de adoção logo no primeiro ciclo, cruzando dados de prescrição, cobertura de visita e retorno dos KOLs, e ajustam a mensagem antes que o problema vire prejuízo consolidado.

O briefing é a fotografia final de um processo que já passou por segmentação, TPP, validação com KOLs e dimensionamento de força de vendas, adaptado ao porte de cada laboratório. Nunca o ponto de partida.

Perguntas frequentes sobre lançamento de medicamento tarjado

O processo de lançamento é igual em todos os laboratórios?

Não. O modelo de três fases é o mais completo e citado pela literatura do setor, mas laboratórios menores ou focados em genéricos costumam comprimir etapas, sem que isso invalide o lançamento.

O que é pré-marketing farmacêutico e por que ele vem antes do briefing?

É a fase que define segmentação de painel médico, territórios e dimensionamento da força de vendas. Sem esse desenho, o briefing criativo mira num alvo mal definido.

Como funciona a segmentação de painel médico?

Além da especialidade, considera potencial de prescrição e perfil de adoção do médico, entre os que adotam novidade primeiro e os que esperam o produto se consolidar.

Qual o papel dos KOLs antes do produto chegar ao mercado?

Validam o posicionamento em advisory boards e se tornam multiplicadores da mensagem, quando o engajamento começa no desenvolvimento clínico, não no lançamento.

Por que tantos lançamentos falham mesmo com produto aprovado?

Porque a execução comercial ignora o que a fase de pré-marketing e o TPP já indicavam. O produto pode ser bom e o lançamento, ainda assim, mal direcionado.

Conclusão

O briefing nunca é o início do lançamento de medicamento tarjado. É onde pré-marketing, TPP, validação com KOLs e dimensionamento de força de vendas se encontram, adaptados ao formato de cada laboratório, em um documento executável. Portanto, pular essas etapas para chegar direto à campanha costuma custar o primeiro ano inteiro de vendas.

A Narro aplica esse rigor de processo em qualquer lançamento de produto, independentemente do setor.

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