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Comunicação com paciente crônico: como fugir da propaganda

5 minutos

Um panfleto bonito não cura ninguém, mas quase metade dos brasileiros com doença crônica abandona o próprio tratamento pelo caminho. Portanto, a comunicação com paciente crônico existe para mudar esse número, sem nunca soar como venda de remédio.

Ou seja, comunicação com paciente crônico é a estratégia que educa, acompanha e apoia quem convive com uma condição de longo prazo, sem promover diretamente um medicamento específico ao público geral. Além disso, no Brasil, a Anvisa proíbe a promoção de medicamentos tarjados fora do ambiente médico, então essa comunicação foca em informação, adesão e suporte, nunca em propaganda disfarçada.

Por que comunicar com paciente crônico é diferente de vender remédio

Primeiro, um dado ajuda a entender o tamanho do desafio. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 52% dos brasileiros com mais de 18 anos já foram diagnosticados com alguma doença crônica, como hipertensão e diabetes. Portanto, esse não é um público pequeno ou distante.

O tamanho do problema que ninguém quer comunicar

Além disso, ter o diagnóstico não significa seguir o tratamento. De acordo com um consenso de especialistas latino-americanos, a não adesão a tratamentos de doenças crônicas gira em torno de 50% no Brasil. Ou seja, um em cada dois pacientes crônicos abandona ou negligencia o próprio cuidado.

Segundo o mesmo documento, o descumprimento de tratamentos gera custos superiores a US$ 2 bilhões por ano na América Latina, entre internações, emergências e complicações evitáveis. Isso acontece porque o paciente para de tomar o remédio, esquece a dose ou simplesmente não entende por que precisa continuar.

Um estudo publicado pela Revista de Saúde Pública, com base no PNAUM, encontrou 30,8% de baixa adesão ao tratamento farmacológico de doenças crônicas no Brasil, com metodologia diferente, mas apontando na mesma direção. Portanto, o problema não é a falta de informação sobre o medicamento. Ou seja, é a falta de comunicação sobre a doença.

A não adesão a tratamentos de doenças crônicas gira em torno de 50% no Brasil, segundo consenso de especialistas latino-americanos.

A linha entre educar e vender

Portanto, aqui está o ponto que separa educação de propaganda. A propaganda fala do produto, enquanto a educação fala da vida do paciente antes, durante e depois dele.

Além disso, no Brasil, essa linha não é só ética, é legal. De acordo com o que já explicamos sobre marketing digital no healthcare, medicamentos tarjados exigem prescrição médica, e a legislação proíbe qualquer promoção direcionada ao público geral. Portanto, o conteúdo para paciente crônico precisa focar na condição, não no comprimido.

AspectoComunicação educativaPropaganda disfarçada
Foco da mensagemA doença e a rotina do pacienteO produto e a marca
LinguagemDo paciente, próxima e claraTécnica, do rótulo da bula
Métrica de sucessoAdesão ao tratamentoCliques e curtidas
Risco regulatórioBaixo, dentro das regras da AnvisaAlto, promoção direta de tarjado

Como comunicar sem cruzar a linha

Primeiro, fale da doença antes de falar do produto. Por exemplo, explique sintomas, rotina de cuidado e sinais de alerta, sem citar o nome comercial do medicamento.

Em seguida, ofereça ferramentas reais de adesão. Além disso, lembretes de horário, calendários de consulta e conteúdo sobre efeitos colaterais ajudam mais do que qualquer slogan.

Depois, use a linguagem do paciente, não a do rótulo da bula. Por exemplo, um hipertenso entende “sua pressão sobe quando você esquece o remédio” muito melhor do que um termo técnico isolado.

Por fim, meça adesão, não apenas engajamento. Curtida não cura ninguém, mas retorno às consultas e continuidade do tratamento sim.

Onde a confiança começa antes da crise

Assim como a importância do branding em produtos farmacêuticos mostra, a confiança do paciente se constrói antes da crise, e o mesmo vale aqui. Portanto, quanto mais cedo a marca aparece como fonte confiável de informação sobre a doença, mais fácil fica sustentar a adesão ao longo do tempo.

Programas de apoio ao paciente: o modelo que já funciona

Hoje, programas de apoio ao paciente já aplicam essa lógica na prática. Assim, eles combinam linha direta de dúvidas, material educativo e acompanhamento de enfermagem, sempre com o foco na jornada da doença. Da mesma forma que o visual aid no marketing farmacêutico transforma dado técnico em conteúdo acessível para o médico, o programa de apoio faz o mesmo pelo paciente.

Um mercado do tamanho da indústria farmacêutica no Brasil não pode se dar ao luxo de tratar o paciente crônico como número de venda pontual.

Perguntas frequentes sobre comunicação com paciente crônico

O que é comunicação com paciente crônico?

É a estratégia que educa e acompanha quem convive com uma doença de longo prazo, sem promover diretamente um medicamento ao público geral.

Farmacêutica pode falar diretamente com o paciente sobre o remédio?

Só de forma educativa. A Anvisa proíbe a promoção de medicamentos tarjados fora do ambiente médico, então o foco precisa estar na doença, não no produto.

Como medir se a comunicação com paciente crônico está funcionando?

Pelo retorno às consultas, pela continuidade do tratamento e pela redução de abandono, nunca só por curtidas ou alcance.

Qual a diferença entre programa de apoio ao paciente e propaganda?

O programa de apoio foca na jornada da doença e no suporte contínuo. A propaganda foca no produto e na conversão de venda.

O erro é tratar doença crônica como venda pontual

Contudo, toda farmacêutica que trata o paciente crônico como comprador de curto prazo perde o que mais importa em uma doença de longo prazo, que é a confiança continuada.

Portanto, comunique a doença antes do remédio, meça adesão antes de curtida, e construa confiança antes de precisar dela.

A Narro aplica essa estrutura de comunicação estratégica em cada projeto que assina.

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