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A guerra não é pelo produto, é pelo espaço vazio na mente

3 minutos

A guerra de posicionamento não é pelo seu produto. É por um espaço vazio na cabeça do cliente, e a maioria das marcas nem sabe que está lutando essa guerra.

Guerra de posicionamento é o conceito, criado por Al Ries e Jack Trout em 1981, que define marketing como uma disputa pela mente do consumidor, não pelo mercado físico. Quem ocupa primeiro um espaço mental claro, como “a marca mais segura” ou “a mais barata”, trava esse espaço contra qualquer concorrente que chegar depois. Produto bom sem espaço mental próprio simplesmente não é lembrado.

Por que a guerra de posicionamento não acontece na prateleira

Primeiro, é preciso entender o problema real. Segundo levantamento recente citado pela Meio & Mensagem, uma pessoa interage com o celular 228 vezes por dia, e cada interação dura só dez segundos. Além disso, a atenção média dedicada a uma peça publicitária cai pra apenas sete segundos.

Diante desse volume, o cérebro humano desenvolveu um filtro natural. Ou seja, ele ignora quase tudo que recebe, e guarda só o que já tem um lugar claro pra ir. Por isso, Ries e Trout defendiam que a batalha real nunca foi no mercado, mas dentro da cabeça de quem compra.

A escada mental: como o cérebro organiza as marcas por categoria

Segundo os autores, o consumidor organiza marcas em categorias como uma escada mental. Em cada degrau, cabe normalmente só um nome. Assim, quando alguém pensa em “aluguel de carro”, o primeiro nome que aparece já ocupou o degrau de cima, e os concorrentes brigam pelos degraus de baixo.

Além disso, esse modelo explica por que copiar o líder nunca funciona. Afinal, o degrau do topo já está ocupado. Portanto, a saída real é criar um degrau novo, ainda vazio, e ser o primeiro nome a subir nele.

MarcaEspaço mental ocupadoResultado
VolvoSegurançaVirou sinônimo do atributo, mesmo sem ser líder de vendas
Häagen-DazsSorvete premiumCriou categoria própria, longe da guerra de preço
DuracellPilha que dura maisOcupou o degrau antes da concorrência reagir

O erro mais comum: tentar ser tudo pra todo mundo

Quando uma marca tenta agradar todo perfil de cliente ao mesmo tempo, ela não ocupa nenhum degrau específico. Consequentemente, o cérebro do consumidor não sabe onde guardar essa marca, e simplesmente descarta.

Esse é, aliás, o mesmo mecanismo por trás do nível de consciência do consumidor: quem não sabe em que estágio de decisão o cliente está, também não sabe qual degrau mental oferecer. Por isso, os dois conceitos andam juntos na prática.

Como aplicar a guerra de posicionamento na sua marca

Primeiro, identifique qual degrau da escada mental já está ocupado pelo líder da sua categoria. Depois, verifique se existe um atributo real, ainda livre, que sua marca pode reivindicar com honestidade.

Em seguida, concentre toda a comunicação nesse único atributo, sem tentar cobrir vários ao mesmo tempo. Por fim, repita esse mesmo posicionamento em todo canal, já que inconsistência é o jeito mais rápido de perder o degrau conquistado. Esse processo fica ainda mais preciso quando apoiado em dado real, como mostra como funciona o branding orientado por dados na prática.

Perguntas frequentes

O que é guerra de posicionamento?

É a disputa pelo espaço mental do consumidor, não pelo mercado físico. Quem ocupa um atributo primeiro, defende esse espaço contra os concorrentes seguintes.

Toda marca precisa ocupar um degrau na escada mental?

Sim, mesmo marcas pequenas. Quanto mais nichado o atributo escolhido, mais fácil é ocupar o degrau antes de qualquer concorrente maior perceber a oportunidade.

É possível roubar o degrau de um concorrente já estabelecido?

Raramente funciona de forma direta. O caminho mais eficiente costuma ser criar um degrau novo, específico, em vez de brigar de frente pelo espaço já ocupado.

Qual a diferença entre posicionamento e branding?

Posicionamento é o espaço mental que a marca ocupa. Branding é o conjunto de decisões visuais e verbais que sustentam esse espaço ao longo do tempo.

Como saber se minha marca já tem um posicionamento claro?

Pergunte pro cliente, em uma frase, o que a sua marca representa. Se a resposta variar muito de pessoa pra pessoa, o degrau ainda não está ocupado de verdade.

Sua marca está lutando a guerra certa?

A maioria das marcas gasta energia competindo por atenção. Porém, a disputa real sempre foi por um espaço fixo na cabeça de quem compra.

A Narro aplica essa lógica em todo posicionamento que constrói.

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